BE
Número
1- f
Silves
30 Fevereiro de 2007
Editorial
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Opinião e crítica:
Albufeira .. Aljezur .. Lagoa .. Lagos .. Monchique .. Portimão .. Silves .. Vila do Bispo
Um
ex-jornal regional, doravante Universal.

Pisar onde dói, não é sadismo:
localiza e isola o mal.
(O
B.E. não tem qualquer ligação com o jornal "O
Barlavento" que se publica em Portimão)
envie-nos
um texto, uma crítica ou opinião
O
mundo acabou. Só não fomos ainda informados disso.
Hoje, num documentário, ouvi a frase mais terrível de
toda a história do percurso humano sobre este planeta.
Uma mulher palestiniana gesticulava desesperada para a
camera de uma qualquer televisão que filmava as ruínas
da sua casa: "dêem-me explosivos para os meus
filhos os colocarem à cintura!"
Brevemente
também versão electrónica em Braille. Pessoas com QI
inferior a 35 por favor mudem de jornal. Para vocês isto
é complicado. Este "jornal" tem mais leitores
do que quase toda a imprensa regional do Algarve por
atacado. (Menos os subsídios claro). Consulte o contador
de visitas e veja a diferença! Próxima edição:
sabe-Deus-quando.
(A reprodução, na parte ou no todo, do conteúdo deste
site tem como imediata sanção penal a obrigatoriedade,
por parte do plagiador, de escutar integralmente o
discurso de tomada de posse do próximo Presidente da
República de Portugal).

BE
Ser PM
Um país falido. Sem um tostão nos cofres. Prenúncio de
greves, manifestações, despedimentos, falências e
quejando... Já alguém imaginou aqueles minutinhos do
antes-de-adormecer do Santana Lopes?
Deve ser penoso.
Alguém que deseja na vida vir a ser primeiro-ministro,
sofre de certeza de uma série de distúrbios que um dia
a psiquiatria analisará com mais cuidado.
Dizer-se: "Mamã, ainda um dia hei-de ser o
Primeiro-Ministro deste país... Vai ver"
Não é normal.
Portugal aproxima-se a trote de uma
gravíssima crise. Um país que importa quase tudo o que
consome e que, para além de algumas rolhas, só tem
exportado capitais, vai ter inevitavelmente de pagar a
factura. É necessário que alguém responsável (o
Presidente da República, por exemplo) venha dizer ao
país que isto não vai lá com uma simples mudança de
governo, mudando as moscas.
Portugal não tem indústria, não tem tecnologia de
ponta, não tem sector primário. Só tem serviços.
As consequências são as piores; pode ter uma ideia
lendo esta página.
BE

BE
Havia o país das maravilhas - o da Alice.
Agora temos o país Lili Caneças. Superficial, banal,
cheio de lugares-comuns, artifícios, plásticas
ranhosas, serradura na cabeça e sonhos fátuos com
Quintas da Marinha e jeeps todo-o-terreno.
Portugal é uma fachada de miúda com crises de
esclerose.
BE
GNR: à revelia dos cidadãos
O
que é que se passa com a GNR do Algarve? É a caça à
multa despudorada e descaradamente?
Existem para perseguir aqueles que trabalham e (ainda)
possuem alguns meios para encher os cofres
não-se-sabe-bem-de-quem?
Já alguém viu um elemento da GNR a ajudar uma criança
a atravessar uma passadeira? E a passar multas, já
viram?
Quem
anda muito pelas estradas deste país nota de imediato
uma diferença: voltaram os sinais de luzes entre os
automobilistas avisando a proximidade de uma brigada de
trânsito. A coisa andava esquecida. Todos tínhamos
consciência da perversidade de avisar eventuais
infractores.
Tudo porque os portugueses começam a estar fartos de
serem o mealheiro da GNR.
Se atentarmos aos milhares de multas menores que
diariamente são emitidas e que nunca serão pagas
aguardando uma das clássicas amnistias (vinda do Papa a
Portugal, eleição de Presidente da República, etc.)
resta-nos perguntar:
Quantos soldados estão destacados pelo comando da GNR na
triagem e tratamento desses milhares de multas?
Quanto desse trabalho desnecessário e até mesmo
anti-social, está a ser insanamente pago pelos
contribuintes?
Porque não estão esses homens na estrada e nas aldeias
deste país protegendo-nos e evitando o aumento da
criminalidade junto dos idosos e indefesos? Será que é
mais fácil emitir multas por falta de um triângulo de
sinalização, por a morada não condizer entre a carta e
o livrete, ou por a inspecção já estar três dias fora
do prazo?
A GNR está a agir incorrectamente. Persegue a classe
média. Saca-lhe o pouco dinheiro que (ainda) possui.
Não zela, não pratica serviço cívico, não protege.
Antes do 25 de Abril a GNR era odiada por ser o suporte
armado do regime, hoje volta de novo a ser odiada por
razões meramente mercantilistas e reles.
Quem avalia a capacidade de gestão dos quadros
superiores da GNR?
Quantos homens estamos a pagar para lustrarem cadeiras e
classificarem papelada sem nexo?
A GNR para a rua já! Mas para ajudar, intervir em defesa
dos cidadãos, proteger.
Os prevaricadores das estradas devem ser punidos. Contudo
não é sacando-lhes dinheiro que se resolve o que quer
que seja a não ser engordar os bolsos não sabemos bem
de quem.
Muitos países optam por um sistema de pontuação, por
cada infracção grave, que termina com a cassação
provisória da licença de condução.
A GNR está de novo do lado errado à revelia dos
cidadãos. A culpa será do ministro que os tutela ou dos
quadros que a superintendem?
Mais polícia? Qual quê, um país miserável que vive de
subsídios já tem polícia que chegue. Não está é
onde deve estar: na RUA ao LADO dos cidadãos. Com os
dois olhos nos bandidos, não na carteira de quem
TRABALHA!
C. Monteiro
Aditamento 1:
Recebemos a informação de que um algarvio foi multado
em 50 contos... porque o prazo para a inspecção
periódica terminara 11 horas antes!
BE
O Comércio da Droga
BE
Pese embora as dificuldades (e a
responsabilidade) de traduzir do Inglês o poema de
William Ernest Henley, dito na cela da morte por Timothy
McVeigh (e alguns anos antes por Nelson Mandela), aqui
fica a nossa interpretação do seu sentido. Um
testamento, um epitáfio. Nele já quase ninguém se
poderá rever, num mundo apostado em quebrar espinhas e
em pôr carneiros acocorados ainda mais de cócoras.
"Quem tem que se preocupar com as prestações fica
sem tempo para pensar em revoluções". Se desejar a
versão original, peça-nos que nós enviamos-lhe por
EMail.
Invictus
Fora
da noite que me cobre,
Negro como a cova de um canto ao outro,
Não me canso de agradecer a eventuais deuses
Esta minha alma inconquistável.
Em todas as quedas de circunstância
Nunca estremeci nem chorei em voz alta.
Pisada e espezinhada pela sorte
A minha cabeça sangrou, mas não curvou.
Para lá deste lugar de ira e lágrimas
Nada mais assoma que o Horror da escuridão.
Porém, apesar da permanente ameaça dos anos
Sempre o tempo me encontrará sem medos.
Não importa quão estreito é o portão,
Quão penoso ser fiel aos pensamentos,
Eu sou o mestre de meu destino:
Sou o comandante da minha alma.
BE
Favas Guisadas
Para 4 pessoas
3 kg de Favas
150 g de toucinho
200 g de chouriço de carne
1 molhinho de coentros
2 folhas de alho
200 g de pão
sal
Escolhem-se as favas bem tenras e lavam-se depois de
descascadas.
Corta-se o toucinho às tirinhas e o chouriço às
rodelas e fritam-se num tacho em lume brando. Retiram-se
quando tiverem largado bastante gordura.
A esta gordura junta-se o molhinho de coentros ao qual se
ataram as duas folhas de alho. Deixa-se fritar um pouco e
juntam-se-lhe então as favas. Tapam-se e deixam-se
cozer, agitando o tacho e juntando pinguinhos de água à
medida que vai sendo necessário para impedir que as
favas agarrem ao fundo do tacho e se queimem.
A meio da cozedura das favas, introduz-se novamente o
toucinho e o chouriço e deixa-se apurar bem.
Coloca-se numa travessa ou num prato fundo (prato de meia
cozinha) o pão cortado às fatias sobre as quais se
deitam as favas.
Acompanha-se com salada de alface cegada, isto é,
cortada em caldo-verde e temperada com coentros e
hortelã picados, azeite, vinagre, sal e um pouco de
água.
BE
Que
é isso de "Imprensa Regional"?
As
normas comunitárias põem em perigo a sobrevivência da
imprensa regional ao impedirem a utilização de papel de
jornal para o embrulho de sardinhas e castanhas.
Na realidade a quase totalidade destes jornais é lida
por quem? Que interesses servem?
Os projectos jornalísticos que se desenvolveram nos
últimos vinte anos no Algarve, ao não conseguirem
sobreviver através de receitas publicitárias e venda de
exemplares junto da sua comunidade, não optaram - como
seria lógico, pela extinção pura e simples.
Descobriram "como por milagre" uma forma de
sobrevivência sem sobressaltos: o servilismo despudorado
e reles aos pequenos poderes locais.
Através da publicação de "comunicados"; dos
pequenos anúncios das obras camarárias, certames e
festas, com o encaminhamento preferencial das
publicações notariais, com os eufemísticos cargos de
"assessores de imprensa", etc.
Afinal o artigo acaba aqui. Não há mais nada a dizer.
Não estou com paciência nenhuma para explicar esta
treta toda.
BE
O 25 de Abril
Contado aos tótós
Alguns
senhores apodreceram no Aljube e no Tarrafal; outros
resistiram como puderam e cantaram a sua revolta até
morrer; outros ainda, exilados e desertores conspiraram
com quantas forças tinham para minar o Estado Novo.
Chamaram-se José Dias Coelho, Adriano Correia de
Oliveira, José Afonso, Álvaro Cunhal, Manuel Serra,
Palma Inácio, Henrique Galvão e mais umas boas centenas
de milhares de marginais diversos.
Morreram ou meteram a viola no saco.
Um punhado de militares saturados da guerra deu o golpe
final. Mais ou menos pacatamente foram desaparecendo de
cena: morrendo (Salgueiro Maia), metendo a respectiva
viola no saco (Durand Clemente, Melo Antunes, Vasco
Lourenço, etc.), ou excomungados por actos de banditismo
(Otelo de Carvalho).
Os maus de então (a corte que bajulava o poder para mais
facilmente nos sugar o tutano), chamavam-se
Champalimauds, Tenreiros, Vinhas, etc., com o conveniente
suporte político dos Fernando Nogueira, Adriano Moreira,
Hermano Saraiva, etc.
Os mau de hoje não só são os mesmos como são mais.
Não se apoiam apenas nos mesmos de então mas em muitos
outros que emergiram das tocas subindo à cotovelada até
à luz do dia.
Também, com políticos como Acácio Barreiros, Francisco
Louçã, Hermínio Martinho, Manuel Sérgio, Manuel
Monteiro (e mais os outros todos sem nenhuma honrosa
excepção) que mais podemos esperar?
Que o Manuel Alegre revele quem lhe escreveu os poemas de
amor e raiva que nos aqueceram a solidão? Porque ele
não foi. O homem enfeudado e triste que se arrasta por
São Bento não é o mesmo que nos buzinava os ouvidos
desde Argel.
Resta-nos esperar que o Zeca Afonso - se fosse vivo -
não seria convidado para o programa televisivo do Marco
Paulo nem seguiria as pisadas do Sérgio Godinho
catalogando vozes no Chuva de Estrelas.
A utopia é treta; toca a lutar pela vida para pagar
as prestações
BE
Sumário
O humor negro
está vivo! Texto integral
da carta recebida
por idosos de Oliveira do Hospital: o "Ministério
da Saúde" ordena-lhe que, por excesso de idade,
deve dirigir-se ao Cemitério do Alto de São João a fim
de... ser cremado.
O ceguinho, o
repolho e o político (Alphonse)
O Futuro dos
parques naturais (Zero)
Os próximos
paladinos do proletariado (a grande
contradição da sociedade de consumo) (Zero)
4 Questões sem
resposta
Salvemos a
nêspera lusitana! (Conceição
Monteiro)
A Conquista de
Silves relatada por um combatente
O comércio da
droga
O que eu quero
é casar com uma camone e sair daqui p'ra fora! (Renato Montalvo)
O Mundo que nós
mesmos criamos...
BE
Os Espanhóis dão-nos um bailarico!
Aqui
há uns anitos, quando Portugal descobriu o turismo pela
mão do António Ferro, julgou ter descoberto a pólvora
sem fumo: praias, feiras de artesanato e os
complementares hotéis, boites e restaurantes. Era tudo o
que o turista precisava para largar as divisas enquanto
nos fotografava os monumentos, que por acaso já cá
estavam e não nos custava nada facultar-lhes.
De então para cá, os nossos altamente técnicos pouco
mais acrescentaram à receita.
Apostaram na quantidade quando os que nos visitavam eram
turistas de qualidade. Claro que perdemos a aposta.
Apostaram na qualidade quando já as nossas estruturas
(sanidade, ordenamento, etc.) eram deficientes. Estamos a
perder a nova aposta.
Aqui ao lado, em Espanha, até se riem de nós.
Captam-nos para Torremolinos os portugueses que deviam
ficar no Algarve e põem a Europa toda a tomar banho em
praias que nem por sombras chegam aos calcanhares da
Falésia, dos Olhos de Água ou mesmo da Praia da Rocha.
A areia deles não tem a cor da nossa. A água não é do
Atlântico mas a de uma banheira gigante com graves
problemas de poluição. As torres de cimento são em
maior número e mais altas que as de Quarteira.
É que os espanhóis, meus amigos, compreenderam
rapidamente a filosofia destes veraneantes: "estou
de férias, quero voltar teso, moreno e de papo
cheio".
Não querem voltar para casa e dizer aos amigos que se
fartaram de dormir na areia de barriga para o ar, beberam
uns copos até há uma da manhã e dormiram no hotel até
ao outro dia para nova sessão de lagartice.
O Algarve é assim a modos que uma clínica geriátrica a
céu aberto. É uma chatice. Falta-nos imaginação,
estruturas de divertimento e de lazer.
Toda a gente sabe que o alojamento em Espanha é mais
barato, que as solicitações para preencher os tempos
livres são imensas, que acaba por se gastar muito mais
dinheiro e que toda a gente volta para casa completamente
lisa mas feliz.
Somos um povo simpático, temos boa comida, bons
serviços hoteleiros. O Sol é quente, as noites são
agradavelmente frescas e há imensos bares, boites,
casinos e discotecas.
Para complementar concluímos que nos faltava por cá
umas réplicas de Marbella e Torremolinos de que os
espanhóis, hoje, tanto se penitenciam. Vai daí fizemos
umas cópias fotográficas de que apanhamos apenas os
contornos dos prédios. Faríamos o mesmo se copiássemos
Las Vegas ou Blackpool. Falta-nos imaginação para
encher de vida os espaços que criamos. Somos uns chatos.
Corremos com os vendedores de bugigangas, com os jovens
que fabricam sandálias artesanais, com os pintores
ambulantes, com os fotógrafos à la minute, com os
cantores de rua.
Os restaurantes não têm grupos musicais porque incomoda
os vizinhos de cima. Os bares fecham cedo por causa do
descanso dos outros. Acabam com as feiras porque há os
supermercados, mais higiénicos e modernos.
Espartilham-se os mercados porque congestionam o
tráfego.
Só falta desaparecerem os pedintes e os vendedores de
pevides.
Claro que temos as praias.
Umas barraquitas de prensado pintado, com uns pneus
carinhosamente cheios de flores, uns chapéus da Olá um
tanto descambados, (cada vez menos... agora é mais
Menorquina) umas lâmpadas coloridas, o preto das batatas
fritas e a vara de eucalipto retorcido do Instituto de
Socorros a Náufragos.
Onde estão os balneários? Os duches de água-doce? Os
cofres para guarda de valores? Os primeiros socorros? A
esplanada de praia ? Os parques infantis?
Em matéria de zonas balneares (salvaguardando os
aldeamentos privados) estamos conversados: somos uns
ecologistas forçados. Tudo o mais "natural"
possível.
É triste reconhecê-lo mas o Algarve não domina, nem
pouco mais ou menos, a mecânica envolvente do fenómeno
turístico.
Muito por culpa das burocracias, da falta de incentivos,
dos empatas, dos autarcas, dos manga-de-alpaca, dos
falsos conceitos de modernidade, qualidade e bom gosto e,
acima de tudo, da falta de compreensão, por parte das
autoridades, das preferências dos viajantes.
Aqui deixo o meu alerta aos nossos muito altamente
técnicos de turismo:
Se querem vender sobretudo Sol, não se esqueçam que a
África está a vender mais barato e durante muito mais
horas por ano.
Ana T. Catarino
(Brevemente: análise de dois "exemplos" de
animação no Algarve: a Fatacil e a Fábrica do
Inglês).
BE
O Algarve revisitado
BE
Fujam que vem aí a publicidade (1)
O
Ambrósio dos bombons
Como
estive todo o dia de cama (com gripe...) agarrado à
televisão, não pude deixar de reparar na quantidade de
Ferreros Rocher que a madame do Rolls Royce vai mamando
ao longo do dia. Eu contei dezanove.
De manhã, de tarde, à noite.
Mas a cota não tem mais que fazer? Marido e filhos para
cuidar?
É todo o santo dia de cú tremido mais o pobre do
Ambrósio a aturar-lhe os ataques de gulotonice.
Tenho para mim que o marido, ou é embaixador no
estrangeiro, ou já está acamado com a enfermeira a
dar-lhe à boca a farinha Milupa de figo, porque se já
fosse viúva estava-se cagando para o Ambrósio e para os
bombons.
Ambrósio vê se varias. Quando a madame voltar a
dizer-te que lhe apetece "tomar algo" arrisca
qualquer coisa de original.
Que tal duzentos gramas de cianeto de potássio?
A minha esposa bebe um copo de água e engorda três
quilos. A patroa do Ambrósio emborca quilos de
chocolate, não mexe o cú do banco do carro e continua
com as curvas todas no sítio.
BE
PARRILHADA À PORTUGUESA
Old
Village? Lakeside Village? Fours Seasons Country Club?
Isto não é o Algarve.
São os arrabaldes de Londres.
0 saudosismo dos ingleses leva-os a transportar a ilha
para todo o lado.
Já que seria de todo inviável levar "o todo o
lado" para a ilha.
Soaria estranho que um pais com uma identidade própria,
um passado e um povo, chamasse a partes do seu solo nomes
simples como Vila Velha? Vila do Lago? Clube de Campo
Quatro Estações? Parece que o conceito primário de
turismo é dar a conhecer essas pequenas coisas que fazem
Arraiolos diferente de Limoges e a Paella um sabor
especifico do sol da Andaluzia. Quem acreditaria na
Grécia se a via de acesso ao Partenon se chamasse 4th
avenue ou boulevard d'Assas?
Marimbando-se os nossos responsáveis para a Babel que
constitue o novíssimo dicionário algarvio.
Apetece perguntar aos autarcas desta província se Ihes
não faz confusão escrever um endereço deste tipo:
Ex.mo. Sr.
João da Silva
St. Georges Street
Old Village
8125 Vilamoura
... Será que os nossos turistas não sairão defraudados
das suas férias?
Que em vez de Algarve, de sol, de romance e poesia acaba
por Ihes sair na rifa uma estadia num falso recanto de
Inglaterra, sem nuvens e com água morna.
Renato Montalvo
BE

BE
A RTP deve fechar já!
Estamos a despender milhões de contos para manter no ar
uma televisão pública.
170 milhões de prejuízo. Dinheiro que não será
distribuídos pelos reformados, pelos pobres, pelos
hospitais!
Dezenas de "jornalistas", "pivots",
"técnicos" de isto e daquilo a serem pagos
regia e mensalmente para (ou) andarem a roçar o cú
pelas paredes ou para "produzir" a trampa que
são a quase totalidade dos programas endógenos.
Para quê quatro canais?
A publicidade existente é exígua e está a obrigar os
dois canais privados a enveredarem por caminhos ínvios
para sobreviver. A concorrência que lhes é feita pelos
dois canais públicos é ilegítima, injusta e desigual.
Uma televisão pública que se dá ao luxo de empregar
modelos, cantores, zés-ninguéns e Joãos Baiões para
apresentar novos programas, (e mais recentemente
atrasados mentais escorraçados dos canais privados)
quando tem prateleiras pejadas de gente sem fazer
rigorosamente nada!
Para ler comunicados e notícias do Estado basta um
canal, aberto duas horas por dia. Para as cagadas que nos
servem, temos já os canais privados que as produzem em
quantidade suficiente. Não usando para isso,
directamente, o dinheiro dos contribuintes.
Que se saiba ainda existe neste país protecção social
e subsídios de desemprego suficiente para prover as
necessidades de toda aquela gente. Ou estes Vips da treta
não podem passar privações como os restantes mortais?
Feche-se as televisões públicas já. Há por aí muitas
escadas para lavar, muitas meias para coser e muitas
serventias para dar a pedreiros.
O governo decreta medidas de austeridade para poupar 130
milhões de contos... e paga de uma só vez 170 milhões
de dívidas da RTP!
BE
"Transfusões sanguíneas 100%
seguras!"
Idealizei um sistema de recolha que permite transfusões
sanguíneas 100% seguras.
Um sistema de medicina transfusional capaz de eliminar
totalmente o risco de eventuais contágios de hepatite B,
VIH1, VIH2, etc. e que, a médio prazo, dispensará
totalmente o uso de plasmas exógenos.
De tal, dei conhecimento à ex-Ministra da Saúde, Maria
de Belém Roseira, e a Almeida Gonçalves presidente do
Instituto Português de Sangue. Ambos me responderam
mostrando interesse em conhecer a respectiva memória
descritiva. Contudo, quando lhes dei a conhecer a
necessidade de um contrato que salvaguardasse eventuais
direitos autorais, ambos, (após lerem a minuta prévia
com as minhas condições)... nunca mais responderam!
Enfim, é este o país que temos.
Onde se fala de um organismo
muito debilitado
O sistema actualmente generalizado de colheita por
dadores homólogos está universalmente desacreditado
devido sobretudo ao facto, e inerentes consequências, do
paciente receptor desconhecer as origens do sangue que
lhe estão a introduzir no corpo.
Por maiores cuidados, testes e filtragens a que o mesmo
tenha sido sujeito todos sabemos as limitações do
conhecimento humano; as novas descobertas servem antes de
mais para isso mesmo, para nos alertar de que antes, não
se sabia tudo.
O sangue é uma substância rara e complexa mas
sobretudo, porque sinónimo de vida, plena de mistérios
e mundos desconhecidos.
Ouvimos, em tempos, um recém-operado comentar a
transfusão a que se submetera:
" Fiquei aterrorizada com o facto de receber sangue
de desconhecidos. Sei lá donde aquilo veio. Na altura
consolei-me com o seguinte pensamento: entre morrer na
sala de operações por falta de sangue, qualquer que ele
fosse, ou daí a dois anos infectado com Sida, antes
ficar por cá mais uns tempos. Pode até ser que nem seja
nada..."
Mais ou menos generalizado, o que está na génese deste
raciocínio é inqualificável.
Os pacientes não podem jogar a lotaria do azar.
As causas da principal falha do sistema prendem-se com as
prementes necessidades - cada vez maiores - de colheita
de sangue. A escassez leva a que, o que devia ser um acto
criterioso de selecção - a escolha de dadores
qualificados -, seja cada vez mais um acto duvidoso. E
nem sequer estamos a falar concretamente de Portugal, mas
de casos mais ou menos verídicos da "compra"
de sangue por intermediários do sistema em zonas de
miséria absoluta e saúde duvidosa que passa pelas
favelas, ghetos e bairros degradados de todo o mundo.
Os processos de limpeza e depuração pelos quais esses
lotes passarão antes de serem introduzidos no mercado
mundial poderão ser criteriosos e satisfatórios, a
quantidade poderá mesmo fazer diluir os perigos trazidos
pelos dadores mais duvidosos, a tecnologia poderá mesmo
trazer garantias acrescidas de pureza e qualidade...
Contudo todo o sistema não poderá jamais apagar o
estigma que a opinião pública lhe colou.
Quanto ao número de dadores altruístas e generosos de
que o sistema dispôs ao longo de muitos anos, o
conhecimento generalizado que todos temos de usos
indevidos e menos éticos de sangue, levará, decerto, a
limitar o número daqueles que estarão dispostos a
participar num acto em que campeiam interesses obscuros.
A opinião pública não desconhece o uso indevido de
quantidades absurdas de sangue usado para melhorar as
performances de atletas de alta competição, a
existência de clínicas geriátricas que efectuam
exanguinotransfusões em clientes ricos e idosos sem
finalidade médica, etc.
É penoso para quem dá, saber o sistema incapaz de
provar a eventual falsidade de tantas acusações.
A situação parece ser tão grave que o Instituto
Português do Sangue chega mesmo a sugerir num dos seus
folhetos a possibilidade de ser exercida pressão sobre
as pessoas no sentido destas darem o seu sangue:
"- Fui pressionado a dar sangue mas não estou
disposto a fazê-lo outra vez...
- Ninguém é obrigado a dar sangue. A dádiva de sangue
é um acto livre e voluntário de pessoas de bem,
habituadas a pensar nos outros..."
Dos eufóricos anos 40
aos temíveis anos 90
A transfusão de dadores homólogos vulgarizou-se nos
anos 40 com a descoberta e classificação dos vários
tipos de sangue. Compreendeu-se então a relação
existente entre essas diferenças e as reacções à
transfusão, tornando possível a sua generalização
durante a Segunda Grande Guerra.
Viveu-se desde então um período de euforia que quase
levou ao esquecimento de antigos métodos, até então em
uso, de transfusão autóloga.
Contudo, já no final dos anos 80, com o crescente
aparecimento de doenças transmissíveis pelo sangue, de
novo todo o sistema é posto em causa e podem mesmo
observar-se exemplos de retorno e renovado interesse
pelas autotransfusões. Causadas, sobretudo, pelo receio
de contrair novas doenças, por parte dos pacientes, e a
procura de sistemas alternativos capazes de suster a
propagação de doenças transmissíveis pelo sangue, por
parte dos médicos.
No caso concreto de Portugal já é relativamente comum o
recurso tanto à autotransfusão peroperatória quanto à
flebotomia de pré-depósito e hemoconcentração e
auto-transfusão intra-operatória (ele há cada
palavrão em medicina). Tais sistemas trazem evidentes
vantagens, entre as quais deve salientar-se a
impossibilidade de aparecimento de alguns casos, raros
mas graves, de reacções a transfusões homólogas e a
possibilidade de praticar, desta forma, medicina
transfusional em pacientes cujas crenças religiosas os
impedem de recorrer a sangue de outros dadores.
O medo generalizado entre os cidadãos, conhecedores dos
casos de infecção bastamente divulgados pelos media,
tem decerto alguma base, dada a impossibilidade do
sistema ultrapassar algumas das fraquezas próprias,
associadas aos métodos de recolha e escolha de dadores.
O cidadão comum conhece algumas dessas limitações,
nomeadamente as dificuldades em encontrar por vezes o
rastro de um qualquer lote a retirar de circulação, em
convocar dadores ao fim de 6 meses para novas análises,
a ausência de registros que impedem que se saiba, no
caso de lotes infectados, quem efectivamente os doou, que
a compra de plasma e outros derivados é por vezes
efectuada directamente aos laboratórios, sem concurso
público nem controlo do estado, etc. etc.
Tudo isto apesar dos rigorosos cuidados observados (
quarentena, condutas de segurança, etc.) e de os riscos
em Portugal - no caso em apreço - não poderem sequer
ser considerados superiores aos de qualquer outro país
mais evoluído, apesar dos casos trazidos à colação
pelos media, de infecções com hepatite B, VIH1 e VIH2,
poderem ainda custar ao estado verbas vultuosas e terem
mesmo desgastado a imagem pública de anterior Ministra
da Saúde.
Quanto menor for a possibilidade de infecção (embora
tenhamos conhecimento de estatísticas que apontam para
que apenas 1 em cada 400.000 lotes de sangue poder conter
o vírus da Sida), menor será o temor público em se
sujeitar a intervenções com recurso a transfusões
sanguíneas.
A lista de doenças transmissíveis pelo sangue é
extensa e não estará decerto completa; a fantasia
popular (ou a realidade...) vai-lhe acrescentando algumas
outras. Para além, da Sífilis, Hepatite e Sida
ultimamente vimos ouvindo ainda a possibilidade de se
poder adquirir Encefalopatia Espongiforme Humana através
de transfusões homólogas.
O autor permite-se
uma curta nota final
Individualmente todos delegamos no estado o dever de nos
providenciar meios de bem estar social: as estradas, os
jardins, a salubridade, a educação, a saúde...
Impõe-se-lhe pois, por uma mera questão de coesão e
sobrevivência colectiva, cumprir essa delegação.
O sistema que inventamos, será inevitavelmente a saída
possível ante os conhecimentos e tecnologias actuais e,
certamente, um segmento dessa formidável teia que é o
futuro.
Um futuro que todos desejamos menos conturbado e mais
justo.
Não nos alheamos, finalmente, do facto de termos
procurado apresentar este trabalho em Portugal.
País com um currículo frustrante.
O resultado final destes séculos todos, apesar do ouro,
dos negreiros e da pimenta é o de vivermos hoje da
pedinchice, muito por culpa de burocracias aberrantes,
inépcia e preconceitos.
Para além dos erros que sempre cometemos penalizamo-nos
por mais este: o de acreditarmos que este país ainda lá
vai com transfusões, neste caso de ideias.
Enfim, resta-nos a consolação de haver mais mundo para
lá destas fronteiras cediças e bafientas.
R. C. Figueiredo
BE
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